MILHO: Mundo Rural Comparado

Safra 2025/26: projeções de preço e área plantada no Brasil, volume comercializado em 2025, armazenagem, tecnologias e comparativo com EUA e Ucrânia

Panorama Brasil — Safra 2025/26

Segundo o 1º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado em 14 outubro 2025, a safra brasileira de grãos 2025/26 estima 22,7 milhões de hectares para o milho (somando as três safras) e produção de 138,6 milhões de toneladas. Serviços e Informações do Brasil+2Serviços e Informações do Brasil+2
Para a 1ª safra do milho, a Conab projeta um incremento de cerca de 6,1% na área e colheita estimada em 25,6 milhões de toneladas, aumento de ~2,8% em relação à safra anterior. Serviços e Informações do Brasil+1
No mercado doméstico, o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) para o milho (região de Campinas, SP) indicou cotação de R$ 65,53/saca de 60 kg em 17 outubro 2025. Cepea+1
De acordo com levantamento da CEPEA, a perspectiva para 2025-26 aponta para uma produção maior, mas com preço futuro apontando queda frente às expectativas de oferta crescente. Cepea+1

Comercialização e exportações em 2025

O volume de exportações de milho do Brasil tem mostrado forte ritmo. Em setembro de 2025, os embarques registraram níveis elevados, reflexo de crescimento da demanda externa. (Obs.: dados específicos de toneladas completas ainda variam conforme mês e fonte).
A intensificação das exportações alivia parcialmente a pressão sobre o mercado interno, mas não elimina o risco de excesso de oferta.

Gargalos de armazenagem e logística

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a capacidade estática de armazenagem agrícola no Brasil era de 227,1 milhões de toneladas no 2º semestre de 2024. FB.org+1
Em anos de supersafra, isso representa um déficit estrutural significativo. O fato de boa parte da produção precisar movimentar-se para terminais, silo em barcaça ou exportação implica elevação de custos logísticos, deterioração de qualidade de grãos (umidade, fungos) e venda antecipada por parte dos produtores.
Esse gargalo torna-se ainda mais relevante frente à expansão da área plantada e à necessidade de escoamento.

Tecnologias empregadas e inovações para a cultura

Tecnologias em uso

  • No Brasil, predominam híbridos modernos de milho (inclusive eventos Bt/VT), manejo de solo (plantio direto, rotação de culturas), controle integrado de pragas e doenças, e adoção crescente de sistemas integrados como Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ou Lavoura-Pecuária (ILP).

  • O CEPEA observa que, embora os preços estejam pressionados, a qualidade do manejo e a adoção tecnológica são fatores de diferenciação entre produtores. O Presente Rural+1

Inovações e PD&I

  • A Embrapa possui portfólio de cultivares de milho atualizados: por exemplo, a variedade BRS 4107 (OPV adaptada) e o híbrido BRS/XB 3042 VT PRO2 (evento transgênico com tolerância ao glifosato e controle de lagarta) — ambos focados em elevar produtividade e robustez.

  • Em termos de investimento, a Embrapa divulgou que para 2025 reforçou seu orçamento de PD&I, concentrando-se em grãos, integração produtiva e sustentabilidade (dados publicados em seu plano de negócios).
    Esses avanços tecnológicos e genéticos são críticos para que a pecuária e agricultura definam, de fato, “menos hectares, mais produtividade”.

Comparativo internacional com EUA e Ucrânia

A seguir, uma tabela comparativa entre Brasil, EUA e Ucrânia nos principais critérios de uso, mercado, armazenagem e nível tecnológico:

Dimensão Brasil EUA Ucrânia
Uso interno Ração (aves/suínos), crescente etanol de milho, exportações em expansão Ração ~6,1 bi bushels + etanol ~5,5-5,6 bi bushels no ano 2025-26. Ethanol Producer+1 Consumo interno menor; foco fortemente exportador (milho como commodity de exportação)
Mercado / Preço CEPEA ~R$ 65,53/saca (17/10/25) para milho físico; futuros variam entre ~R$ 68–72/saca para vencimentos 2025/26. Notícias Agrícolas+1 USDA projeta produção recorde (~16,7-16,8 bi bushels) e preços de fazenda em ~US$ 4,20/bushel (cerca de US$ 162/t) para 2025/26. Dtnpf+1 Produção estimada ~31 Mt para 2025/26; exportações previstas em ~26 Mt; milho transgênico proibido por lei.
Armazenagem Capacidade estática ~227,1 Mt; ainda déficits em anos de oferta elevada. FB.org Capacidade robusta, sistema consolidado ‘on-farm’ + comercial, menor gargalo estrutural. Infraestrutura afetada pela guerra: silos danificados ou inacessíveis, elevando risco logístico.
Nível tecnológico Híbridos modernos, adoção crescente de ILP/ILPF, PD/I em expansão via Embrapa Biotecnologia amplamente adotada: milho GE (HT/Bt) mais de 85-90% das área. National Corn Growers Association Milho GE proibido; modernização tecnológica e acesso a insumos ainda mais desigual; riscos de guerra afetam adoção.

Análise e implicações

  • O Brasil avança em escala de área (22,7 m ha projetados) e já mostra sinais de tecnologia crescente, mas a pressão sobre preços domésticos e a necessidade de eficiência por hectare são claras.

  • A garganta do setor brasileiro está menos na semeadura ou genética, e mais em logística, armazenagem e escoamento — o que pode limitar a competitividade frente a players mais eficientes.

  • Nos EUA, o cenário de grande oferta (produção recorde) implica preços de fazenda mais baixos, o que pode pressionar exportações brasileiras, mas também abrir espaço para o Brasil como alternativa de origem, se logística e custo se ajustarem.

  • A Ucrânia, embora menor que os dois gigantes, entra como “coringa” exportador, mas enfrenta restrições de infraestrutura e tecnologia — o que gera oportunidades para o Brasil em mercados exigentes.

  • Para o produtor brasileiro, a chave será: reduzir custo por hectare, garantir armazenagem adequada, buscar híbridos de última geração e aproveitar sistemas de integração que maximizem o uso da terra e recursos.

Conclusão

A safra de milho 2025/26 mostra que o Brasil está com porta de entrada ampla: área em expansão, demanda doméstica firme, e mercado exportador ativo. No entanto, para transformar essa “porta” em ganhos de rentabilidade, será vital resolver os gargalos logísticos e reforçar o uso de tecnologia com escala.
Em paralelo, os mercados internacionais (EUA, Ucrânia) reforçam que o Brasil não compete apenas internamente — compete globalmente. E globalmente, eficiência, escala e logística serão os diferenciais.
Se o produtor brasileiro adotar com disciplina: menor custo, melhor genética, armazenagem eficiente, poderá não apenas acompanhar, mas liderar nas origens de milho competitivas.

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